domingo, 2 de maio de 2010

"There is always hope". By Banksy

Banksy: (Bristol, 1975) é notório artista de rua inglês, cujos trabalhos em stencil são facilmente encontrados nas ruas da cidade de Bristol, numerosas manifestações de Banksy também são encontradas na capital britânica, Londres.

Suas obras são carregadas de conteúdo social expondo claramente uma total aversão aos conceitos de autoridade e poder. Em telas e murais faz suas críticas, normalmente sociais, mas também comportamentais e políticas, de forma agressiva e sarcástica, provocando em seus observadores, quase sempre, uma sensação de concordância e de identidade. Apesar de não fazer caricaturas ou obras humorísticas, não raro, a primeira reação de um observador frente a uma de suas obras será o riso. Espontâneo, involuntário e sincero, assim como suas obras. (Fonte: Wikipédia)










Criança hasteando uma sacola do Tesco como se fosse uma bandeira, enquanto outras duas prestam sua homenagem com a mão sobre o peito. A crítica ao monópolio do supermercado (o maior de Londres).



Cctv é o circuito interno de TV que se usa no país. Quase um Big Brother em grande escala.

sexta-feira, 23 de abril de 2010

Morro sob Morro

Faz certo tempo que ocorreu aquele acidente no Morro do Bumba. Faz um tempo ainda maior que não posto nada por aqui. Mas, estando de volta, venho aqui para, mais uma vez, questionar certas conclusões que acabam tornando-se uma espécie de parâmetro da normalidade, para quase todos à minha volta. Sem que isso deixe de causar mais a devida estranheza que tanto precisa causar.

Após essa tragédia, eu acompanhei, pela tv, muitos atores, cantores, apresentadores e todo tipo de celebridades opinando sobre o acidente. Foram opiniões com um conhecimento de causa que, sinceramente, me pareceu até que eram eles os pobres desabrigados. Houve ainda depoimentos comovidos e uma enorme quantidade de cobranças sobre aqueles que supostamente seriam os maiores responsáveis por aquele local se encontrar ocupado por casas irregulares.

O que eu tenho para escrever aqui é o seguinte... Aparecer para entrevistas para falar sobre essa tragédia é, em minha opinião, de um oportunismo sem fim. Parece-me importante questionar, primeiro, quem decide aparecer, apenas, para atribuir aos outros a responsabilidade e o dever de salvaguardar a vida de outras pessoas. É pertinente interrogar como essas pessoas, que aparecem na tv, simplesmente andavam por sua própria cidade, sem sequer estarem cientes que à sua volta existiam problemas respectivos à moradia e infraestrutura; ou, admitindo a possibilidade de estarem cientes a respeito de tais problemas, essas pessoas optaram por não tomar partido para evitar acidentes como o que ocorreu no Morro do Bumba. É nesse ponto que, falar sobre a responsabilidade dos outros, ao invés de sua própria escolha de não se envolver previamente com esses problemas, é o momento exato do oportunismo.

Protestos acalorados, opiniões politicamente corretas, shows e jogos beneficentes, etc. Perante a audiência para quem essas pessoas se dirigem, elas encontram uma forma de vender a idéia de que sempre estiveram sensíveis ao mal estar vivido pelos desabrigados, que a omissão das autoridades é o motivo responsável pela ocorrência de um desabamento e que resultou em tantas mortes. As pessoas aparecem para cantar, dar opiniões e falar de política quando ocorre uma tragédia. Mas, o que acontece quando não tem uma tragédia para fazer um show? Quando não tem um desabamento para criticar o problema de moradia da região onde se mora? Se essas pessoas não podem aparecer para mostrar os seus ideais e seus valores afirmativos, sem evidenciar sua própria imagem, para onde vai toda a militância e a vontade de resolver os problemas de sua própria cidade? Convém interrogar.

Outra questão se levanta tão importante quanto delicada. É uma afirmação que causa em muitas pessoas desconforto, mas que pode ser indício de uma questão que parece se tentar não revelar. Foi em um local repleto de lixo e num terreno irregular, no alto de um morro e sem a menor preparação para esse fim... Que as pessoas escolheram levantar suas casas. Existem sérios problemas de moradia em muitas cidades. Existe também o descaso do governo, o problema da distância de casa para o trabalho e tudo mais... Porém, construir sua própria casa no alto de um morro, onde sabidamente as chuvas costumam arrastar casas, é colocar a própria vida sob o controle do acaso. É esperar que uma melhor sorte lhe venha daí - melhor do que aquela que você obteve para si mesmo. O problema disso é que a chuva - ou qualquer outro fator dessa ordem: doença, acidentes, etc. - não obedece a nenhum tipo de moralidade. Portanto, não irá punir as razões pelas quais uma pessoa encontra-se numa situação caótica de moradia, ainda que existam condições sabidamente adequadas para se viver. Vou colocar um exemplo que considero claro para tratar sobre a questão da escolha, e que tem haver com muitas pessoas e diz respeito ao local de construção de suas casas. Quando as autoridades tomam alguma atitude, frente o risco de desabamento em determinada área, elas costumam mandar agentes para avaliar os riscos que as casas ali construídas oferecem, no caso de sofrerem com novas chuvas. Como sabem, as casas que oferecem tais riscos precisam ser desocupadas. Quando as pessoas são informadas que a casa corre risco de desabar, qual é normalmente o comportamento habitual nesses casos? Não desocupar as casas. Lacan cita um exemplo - para falar de outra coisa, é verdade - que me parece fundamental para abordar a questão da escolha. Um assaltante vira-se para a mulher e diz: "Ou passa a bolsa ou perde a vida!". E diante dessas premissas apresentadas a pessoa faz sua própria escolha. Mas, o que fica oculto nessa interrogação é o erro hermenêutico existente nessa oferta. A oferta correta seria: ou passa a bolsa e fica com a vida, ou perde a vida e depois perde também a bolsa. Não é uma escolha perder a bolsa. Ela será invariavelmente perdida nesse assalto. A única garantia que lhe é, injustamente, oferecida é ficar com sua própria vida. É a única coisa a qual lhe é oferecida e você pode garantir. E o que se costuma ver é que, o querer a vida não está acima de perder a casa. E me parece que o maior problema está nesse ponto onde a pessoa, mesmo numa oferta que parece irrecusável, mesmo numa escolha lógica onde ela só pode garantir uma única coisa - sendo essa a mais preciosa delas -, não é capaz de responsabilizar-se a fim de garantir sua própria sobrevivência. Se num momento iminente, em que dever garantir a vida lhe é uma opção, se a pessoa não faz essa escolha, me parece que em todos os outros momentos em que não exista essa pressão, ela se coloque não responsável pelas coisas que precisa e não tem, mas que sabe que deveria ter.

Portanto, o importante não está em alimentar uma postura de considerar aqueles que são os mais responsáveis. Todos fizeram escolhas: morar num morro íngreme e perigoso é uma escolha. Aparecer na tv para discursos políticos somente em momentos de tragédias é também uma escolha. Como também é o de não cumprir com seus deveres enquanto governante. Mas, é preciso você avaliar que escolhas possam fazer desaparecer a questão de suas queixas. E essas escolhas não terminam sempre tornando o outro fonte de seus próprios problemas. É preciso perceber que a sua participação na questão que você se queixa revela o seu real envolvimento com ela, e não exatamente o quanto você sofre ou se revolta. Isso vai além do que responsabilizar os outros pelos os incômodos acidentes que a vida causa em todos nós. Consiste em apropriar-se da questão que te afeta; responsabilizar-se por sua queixa. Existem pessoas trabalhando para melhorar o problema de moradia em áreas com risco de desabamento que sequer sabemos os nomes. Elas foram afetadas por essa mesma questão e escolheram atuar. É assim que a sua inquietação saiu do campo da queixa para a atuação, com a finalidade de obter melhorias frente esses problemas - problemas ao qual se queixava. É nesse ponto onde o que não pode ser feito é encarado com tranqüilidade. Pois, existe a confiança singular de que aquilo que você queria mudar para melhor, está sendo feito e por você.

Tomar com respeito a questão do acidente no Morro. Tomá-la como importante, com o intuito de levar adiante aquilo que se queixa e se responsabilizar pelas conseqüências que essa escolha acarreta e traz de mudança na vida de outras pessoas, é o melhor que se pode obter.

segunda-feira, 22 de fevereiro de 2010

Do vazio no Budismo para um pensamento em Lacan. Aqui vai um conto budista...

O mestre japonês Nan-in concedeu uma audiência a um professor de filosofia. Aquele professor devia estar cansado de tanto andar quando chegou à cabana de Nan-in. E Nan-in disse: Espere um pouco. O homem devia estar com pressa. A mente está sempre apressada, está sempre procurando realizações instantâneas. Para a mente, é muito difícil esperar, quase impossível.

Nan-in disse: Vou preparar um chá para você. Você parece cansado. Espere um pouco, descanse um momento, e tome uma xícara de chá. Depois podemos conversar. E Nan-in ferveu a água, e começou a preparar o chá. Mas ele deve ter ficado observando o professor. Não só a água estava fervendo, o professor também estava fervendo por dentro. Não só a chaleira estava fazendo ruídos, o professor estava fazendo ainda mais barulho dentro dele, tagarelando, falando sem parar. Ele devia estar se preparando - o que perguntar, como perguntar, por onde começar. Devia estar num profundo monólogo. Nan-in deve ter ficado sorrindo e observando: Este homem está muito cheio, de tal maneira, que nada pode penetrá-lo.

Ao servir o chá, Nan-in encheu a xícara de seu visitante, mas continuou despejando sem parar. O professor começou a ficar apreensivo, pois o mestre não parava de despejar. A xícara estava transbordando. Logo o chá escorreria para o chão. Então o professor disse: Pare! O que está fazendo? Nem mais uma gota de chá cabe nesta xícara. Você está louco? O que está fazendo? E Nan-in disse: O mesmo acontece com você. Você está alerta para o fato de a xícara estar cheia, nada mais podendo conter, mas por que não está assim tão consciente a respeito de você mesmo? Você está transbordando com opiniões, filosofias, doutrinas, escrituras. Já sabe demais. Nada posso lhe dar. Você viajou em vão. Antes de vir até mim, deveria ter esvaziado a sua xícara. Então, eu poderia despejar algo dentro dela. Como esta xícara, você também está cheio de opiniões e idéias. Como posso mostrar-lhe o Zen, sem que antes você esvazie a sua xícara?

E eu lhe digo que você encontrou uma pessoa mais perigosa ainda. Eu não permitirei nem uma xícara vazia, pois você a encherá de novo. Você está tão viciado, ficou tão habituado, que não deixa a xícara ficar vazia nem por um momento. Assim que vê o vazio em qualquer lugar, começa a preenchê-lo. Você tem tanto pavor do vazio, tanto medo. O vazio se parece com a morte. Você irá preenchê-lo com qualquer coisa, mas o preencherá. E eu o convidei para vir aqui, para quebrar completamente essa xícara, de modo que, mesmo que você queira, não a poderá encher.

Diz o budismo: mesmo vazio, se você está presente, então está cheio. Até o vazio preenche você. Se você sente que está vazio, não o está absolutamente. Você está aí. Apenas o nome mudou. Agora você se chama vazio. A xícara não adiantará nada. Tem de ser quebrada completamente.

Só podia acontecer com um professor de filosofia. A história diz que um professor de filosofia foi ver Nan-in. Ele deve ter ido por motivos errados, pois um professor de filosofia, como tal, está sempre errado.

Filosofia significa intelecto, raciocínio, pensamento, argumentação. E esta é a maneira de estar errado, pois você não pode amar a existência se gosta de argumentar. A argumentação é a barreira. Se você argumenta, discute, você está fechado. Toda a existência se fecha para você. Então, você não está aberto, e a existência não se abre para você. Quando você argumenta, você afirma. Afirmação é violência, agressão, e a verdade não pode ser conhecida por uma mente agressiva, a verdade não pode ser descoberta pela violência. Você só conhece a verdade quando ama. Mas o amor nunca argumenta. Não há argumentação no amor, pois não há agressão.

Lembre-se: não apenas aquele homem era um professor de filosofia; você também é. Todo homem carrega sua própria filosofia; e todo homem é um professor, à sua maneira, pois você professa as suas idéias. Acredita nelas. Você tem opiniões, conceitos. Por causa das opiniões e conceitos, seus olhos estão embaçados, não podem ver; sua mente é estúpida, não pode conhecer. Idéias criam estupidez, pois quanto mais idéias existem, mais a mente está carregada. E como a mente carregada pode conhecer? Quanto mais idéias existem, mais elas se tornam como poeira que se acumula sobre um espelho. Como pode o espelho refletir? Sua inteligência fica realmente coberta por opiniões, pela poeira, e qualquer pessoa com opiniões certamente será estúpida e sem brilho.

Por isso os professores de filosofia são quase sempre estúpidos. Eles sabem demais para realmente saberem alguma coisa. Estão muito carregados. Pode haver diferenças de quantidade, mas todas as mentes são qualitativamente as mesmas, pois a mente pensa, argumenta, coleta, junta conhecimento e torna-se estúpida. Apenas as crianças são inteligentes. E se você puder preservar sua infância, se puder recuperá-la continuamente, você permanecerá inocente e inteligente. Se você acumula poeira, a infância é perdida, a inocência deixa de existir, e a mente torna-se estúpida e embaçada.

As pessoas que estão cheias de perguntas, estão sempre procurando respostas,. É tolice preocupar-se com perguntas e respostas. É sempre assim, pois a mente gera perguntas. A mente é um mecanismo para criar perguntas. Alimente-a, e ela lhe dará uma pergunta, e muitas outras se seguirão; dê-lhe uma resposta, e imediatamente ela a converterá em muitas perguntas. Você está aqui cheio de perguntas. Sua xícara já está cheia. ...

Vazio significa que nem a xícara restou. Todas as paredes desapareceram; O fundo da xícara caiu. Você tornou-se um abismo. Muito é possível, se você permite. Mas permitir é árduo, pois para permitir, você terá de se render. Vazio significa rendição. Nan-in estava dizendo àquele professor: Incline-se, renda-se, esvazie a sua cabeça.

No fundo, a pergunta é uma só — a ansiedade, a angústia, a falta de sentido, a futilidade de toda esta vida, sem saber quem você é. Mas você está repleto. O trabalho aqui será uma destruição, uma morte. Se você estiver pronto para ser destruído, algo de novo surgirá. Toda destruição pode tornar-se um nascimento criativo. Se você está pronto para morrer, pode ter uma nova vida, pode renascer. O fenômeno real, a transformação, acontecerá em você. Haverá sofrimento, pois nenhum nascimento é possível sem sofrimento. Muita angústia surgirá, pois você a tem acumulado, e ela tem de ser descarregada. Uma purificação e catarse profundas serão necessárias.

Quando o sofrimento é insuportável, a bem-aventurança está muito próxima. Por isso não tente escapar do sofrimento — esse é o ponto onde você pode pôr tudo a perder. Não tente evitá-lo; passe por ele. Não tente achar um jeito de dar uma volta. Não, isso não adiantará. Passe através do sofrimento. O sofrimento queimará você, Destruí-lo-á, mas, na verdade, você não pode ser destruído. O que pode ser destruído é apenas o lixo que você acumulou. O que pode ser destruído é algo que não é você. Quando tudo isso for destruído, você sentirá que é indestrutível.

Seja vazio, mas não pense isso, do contrário, estará enganando a si mesmo. Você trouxe muitas filosofias com você. Abandone-as. Elas não o têm ajudado absolutamente; não têm feito nada por você. Já é tempo, agora é o momento certo. Abandone-as completamente, não apenas partes, fragmentos delas. Sua mente é uma bagagem desnecessária. Você está carregando um peso desnecessário. Abandone-o.

Buda costumava dizer: Onde quer que você experimente a água do mar, o gosto é sempre o mesmo, sempre salgado.

quinta-feira, 21 de janeiro de 2010

Decifrando os homens - E eles o que querem?

Eu assisti uma entrevista rica com o filósofo e psicanalista Luiz Felipe Pondé, o que me motivou muito a escrever esse post. Vou publicar aqui o que absorvi da entrevista e o que eu próprio tenho a dizer a respeito desse assunto.

Recapitulando a pergunta: "O que querem os homens?". As mesmas coisas de sempre. Essa é a bem da verdade. Por outro lado, não passa desapercebido que os homens estão ainda mais perdidos do que antes quando o assunto é mulher. Se antes um trabalho, um casamento e uma casa eram garantias de sucesso para uma vida feliz, nesse mundo repleto de mulheres independentes é preciso inventar uma nova fórmula. E qual seria ela? Bem... Primeiro, vamos aos fatos.

Quando a mulher começou a se deixar também ser explorada pelo capital, ter um trabalho, passou a querer deixar de ser o segundo sexo, a coisa mudou. A mulher era entendida pelo homem como: mãe, esposa, amante, colega de trabalho, etc... Sempre a partir de um papel em contraponto ao dele - homem. Agora que a mulher pode ESCOLHER sua vida, e o homem não sabe o que a mulher quer dele, isso traz confusão. É preciso se reinventar. No momento em que a mulher desencaixou e adquiriu autonomia, uma vida própria - a despeito de viver com um homem - e jogou isso na cara dele, isso assustou... Quando ela tem para onde ir, ela passa a querer (e poder!) decidir também. A mulher de hoje pode decidir. Ela ganha o dinheiro dela e pode dizer: "Eu vou embora". Antes ela não tinha para onde ir. Ela só esperneava, ficava duas horas reclamando, mas ficava.

Por outro lado, o homem continua tendo mais vantagens, por que eles ainda ganham mais quando se trata de melhores empregos e salários. O trabalho para a mulher é uma opção. Arrumar um homem que a sustente certamente é a outra. Mas, ela estudou, está preparada e quer ser independente. Essa mulher mete medo. O homem não sabe o que essa mulher pode querer dele.

Muitas vezes a gente ouve as mulheres dizerem que querem um homem sensível. Mas, ela não quer isso! Ela quer o homem sensível em certos momentos. Mas, quer que o cara funcione que nem um detento com 20 anos de cadeia nas costas na hora H.

O homem precisa aprender que pode viver sem depender da mulher. Ele precisa aprender a viver sem uma mulher do lado dele. É como se ele vivesse provando o tempo todo que o pau dele sobe sem mulher.

Quando o homem fica fraco a mulher se desorienta. A mulher não quer o homem que não saiba se planejar, não saiba administrar sua vida, não tenha um plano de fuga. Não é que ela seja interesseira. É que a mulher mudou muita coisa mas, com os homens elas continuam as mesmas. A crítica feminina tirou todos os privilégios dos homens, aquilo que era chamado de machismo, e deixou apenas as cobranças daquilo que ela, mulher, deseja. Então os homens passaram a tratar as mulheres com despeito. Como se dissessem: "você não queria direitos iguais? Então, é tudo por sua conta". "A gente pode sair, ir para balada, se divertir, mas depois é cada um na sua casa!". Como se o relacionamento fosse literalmente um escambo. Então, as mulheres sentem isso como vingança. Por que ela ainda espera o investimento do homem. É assim que ela obtém uma prova que seu interesse por ela é verdadeiro. Quando a mulher quer investimento, ela deixa o homem pagar a conta. Quando ela não quer, ela divide. Vai depois embora para casa, sem dívida e nem culpa.

É por isso que para os homens não existe opção. Se você não tiver sucesso profissional... FUDEU! Para os homens não existe plano B. Mas, afinal, o que querem os homens? Bem... Descobrir de algum modo que tudo o que são não está estabelecido por aquilo que a mulher precisa deles. Mas, ainda precisam encontrar uma forma de viver sua vida sem aquele roteiro que obedeciam seus pais e avós. Devem se reinventar. E tenho dito!

segunda-feira, 11 de janeiro de 2010

Psicóloga francesa defende infidelidade masculina para ajudar o casamento

Uma das mais famosas psicólogas francesas causou polêmica ao defender, em um livro recém-lançado, que a infidelidade masculina é boa para o casamento.

No livro Les hommes, l'amour, la fidélité ("Os homens, o amor, a fidelidade"), Maryse Vaillant diz que a maioria dos homens precisa de "seu próprio espaço" e que para eles "a infidelidade é quase inevitável".

Segundo a autora, as mulheres podem ter uma experiência "libertadora" ao aceitarem que "os pactos de fidelidade não são naturais, mas culturais" e que a infidelidade é "essencial para o funcionamento psíquico" de muitos homens que não deixam por isso de amar suas mulheres.

Para Vaillant, divorciada há 20 anos, seu livro tem o objetivo de "resgatar a infidelidade". Segundo ela, 39% dos homens franceses foram infiéis às mulheres em algum momento de suas vidas.

Fraqueza de caráter

"A maioria dos homens não faz isso por não amar mais suas mulheres, Pelo contrário, eles simplesmente precisam de um espaço próprio", diz a psicóloga.

"Para esses homens, que são na verdade profundamente monógamos, a infidelidade é quase inevitável", afirma.

Para Vaillant, os homens que não têm casos extraconjugais podem ter "uma fraqueza de caráter".

"Eles são normalmente homens cujo pai era fisicamente ou moralmente ausente. Esses homens têm uma visão completamente idealizada da figura do pai e da função paternal. Eles não têm flexibilidade e são prisioneiros de uma imagem idealizada das funções do homem", afirma ela.

(http://extra.globo.com/saude/plantao/2009/12/30/psicologa-francesa-defende-infidelidade-masculina-para-ajudar-casamento-915403210.asp)

Ainda estou considerando opinar ou não sobre a matéria. Por enquanto, deixo a seguinte pergunta: "E agora, moçada?".

domingo, 29 de novembro de 2009

Amor: O Mito, O Embuste e a Psicanálise

Vou contar uma estórinha que não começa com o famoso “Era uma vez...”. É sobre um mito. O mito do nascimento do Amor (Eros) – tal qual descrito por Platão em O Banquete. Quando nasceu Afrodite, os deuses banquetearam e entre eles estava Poros (o Expediente, O Astuto, A Riqueza), filho de Métis. Depois de terem comido, eis que aparece Pênia (A Pobreza) para mendigar, pois tinha sido um grande banquete. Ela não entrou, porque não tinha nenhum presente a oferecer. Aconteceu que Poros, embriagado de néctar, entrou nos jardins de Zeus e, pesado como estava, adormeceu. Pênia, então, pela carência em que se encontrava de tudo o que tem Poros, e cogitando ter um filho seu, dormiu com ele e concebeu Eros. Por causa disso, Eros tornou-se seguidor e ministro de Afrodite, porque foi gerado durante as suas festas natalícias; e também era por natureza amante da beleza, porque Afrodite também era bela.

Foi por intermédio desse encontro que nasceu Amor (Eros), resultado de um masculino passivo (amado), desejável, e um feminino ativo (amante), desejante. Convém explicar o que ocorre entre o amante e o amado. O que é o amante? É aquele que, sentindo que algo lhe falta, mesmo sem saber o que seja, supõe em outro (o amado) algo que o completaria. O amado, por sua vez, sentindo-se escolhido, supõe que tem algo a dar, sem saber bem o quê. Mas, como o amado é também um ser faltante (e falante), algo também lhe falta, como ao amante. Assim, o que ambos têm a dar é um nada, um vazio. E mais: aquilo que o amado supõe ter para dar, não é o que falta ao amante.

O amante não sabe o que lhe falta e o amado não sabe o que tem - um não-saber que é do inconsciente.

Normalmente, as crianças têm a mãe como o primeiro objeto amoroso. Freud descobriu, em sua auto-análise, que, quando criança, teve sentimentos de amor para com sua mãe, e de ciúme em relação ao pai. Toda criança passou por isto, embora o tenha recalcado - o que vai acarretar mais ou menos dificuldades nas escolhas de objeto posteriores. Estas escolhas são mediadas por um modelo, o de um outro. Este é o processo que instaura a estruturação do sujeito. A criança que não teve ainda acesso à linguagem, que tem uma imagem imprecisa de seu próprio corpo, não tem noção do eu e do objeto, não tem sua identidade de verdadeiro sujeito. Seu investimento é auto-erótico. Tudo se passa no registro da necessidade. A estruturação implica em ultrapassar o registro da necessidade para o do desejo. O grito e o choro, inicialmente, expressão de insatisfação e desconforto, tomam-se apelo, demanda de outra coisa. A resposta do outro, sob a forma de olhar de reconhecimento, vai constituir a identidade do sujeito. É o chamado narcisismo (primário), investimento do sujeito em si mesmo, nesta imagem de si mesmo confirmada pelo outro. A esta identificação primordial vão se suceder as identificações imaginárias, ainda exteriores, a ponto de Lacan dizer que "o eu é um outro".

Freud aponta o fato pouco raro de que muitos homens não conseguem desejar a mulher que amam, nem amar a mulher que desejam. É que a mulher amada e respeitada, escolhida segundo um modelo da mãe, torna-se, por isto mesmo, proibida.

Mudando de pau para cacete. Em O Banquete também está escrito: "é impossível a qualquer pessoa dar aquilo que não tem, nem ensinar aquilo que não sabe". O amor é um significante, uma metáfora, uma substituição: É na medida em que a função do amante, na medida em que, ele o sujeito da fala, vem no lugar, substitui a função do objeto amado, que se produz a significação do amor.

Lacan afirma que "amar é querer ser amado". Sendo assim, no mesmo momento em que o amante constitui alguém como amado, transforma-o em seu amante, e vice-versa. Do lado do amante, está a posição ativa, que provoca automaticamente sua reversão em passividade. A metáfora do desejante aponta para a resposta à questão: "o que é desejado? É o desejante no outro".

Mas, o paradoxo do amor ostenta seu lado fraco, um impasse e um problema, na medida em que "o sujeito não pode satisfazer a demanda do Outro se não o rebaixando, fazendo deste Outro o objeto de seu desejo".

Mesmo assim, o amor é privilégio do ser falante. Os animais não amam porque não podem demandar a um outro que produza a metáfora do amor. Por isto, se alguém responde à demanda de amor dando alguma coisa sem metaforizar, não está amando. É um engano, um logro. "Há, no rico, uma grande dificuldade de amar". Porque ele se apressa em responder à demanda, dando o que tem. Para Lacan, "dar o que se tem, isso é a festa, não é o amor". O rico, ao dar, quer se livrar do pedinte. Dar, para o rico, é o mesmo que recusar o amor. A má reputação dos ricos os dificulta de entrar no reino dos céus. Ali só entram os santos, os que, não tendo nada para dar, sendo pobres, podem amar verdadeiramente, estando aí sua riqueza.

E o analista? Este se coloca, inicialmente, na posição de amante, de demandante. Já que decidiu ser analista, este desejo lhe indicou que algo faltava. Faltava ser analista. Falta fundada no desejo de saber sobre o desejo do paciente, do amado. O analista pede, então, que o paciente lhe dê ou fale algo que ele, analista, não sabe o que é. O paciente, por sua vez, supondo que tem algo a dar, a dizer, o seu não saber sobre os sintomas, inverte a situação, passando à amante. Esta gangorra do amante-amado, vai se substituindo. O paciente sabe que tem algo não-sabido, o analista sabe que seu saber é só suposto. Assim, cada um só tem a dar um nada. Isto é a transferência, dar o que não se tem - o verdadeiro amor. Diz Lacan: "Para que o analista possa ter aquilo que falta ao outro, é preciso recusar o saber sobre o paciente. É preciso que ele esteja sob o modo de ter, que ele não seja, ele também, sem tê-lo, que não falte nada para que ele seja tão sem saber quanto seu sujeito". Daí a importância de que o analista não compreenda e não confie na sua compreensão. É bom até duvidar dela. Ele não tem que procurar, mas convém achar, justo onde não compreende e não espera encontrar. Pois, "é somente na medida em que, decerto, ele sabe o que é o desejo, mas não sabe o que esse sujeito, com quem embarcou na aventura analítica, deseja, que ele está em posição de ter em si, deste desejo, o objeto". E se o analista sabe o que é o desejo, sabe-o pela própria experiência de se ter defrontado com a causa do desejo em sua própria análise. Foi um processo de depuração de um desejo mais forte, uma mutação na economia de seu próprio desejo, que o transformou em desejante, habilitado a ocupar o lugar de desejado, lugar de causa do desejo.

Estão dadas assim as condições para que aconteça o verdadeiro amor, no dizer de Lacan: "A cela analítica, mesmo macia, não é nada menos que um leito de amor".

Duas pessoas se encontram, com determinada freqüência, durante meses, durante anos, numa salinha trancada, onde passam horas a sós, falando do que há de mais íntimo, pessoal, secreto, sofrido, magoado, esperançoso, feliz, alegre, todas as fantasias à solta, nenhum risco de julgamento ou censura. Sem falsas promessas, dizem-se coisas que a ninguém mais é dado ouvir, nem aos pais, irmãos, parentes, amigos, namorados, amantes, parceiros, colegas; coisas que, se não fossem ditas ali, nunca mais seriam proferidas pelo resto da vida, e isso, diante de alguém total e incondicionalmente disponível a escutar, sem limites. Então, isto não é o grande e verdadeiro amor? Aquele que dá o que não tem?

Concluindo: "Se o amor é dar o que não se tem, é bem verdade que o sujeito pode esperar que lhe dêem, já que o psicanalista não tem nada mais a lhe dar. Mas, mesmo este nada, ele não o dá - e é melhor assim. É por isto que, este nada, paga- se a ele – e generosamente, de preferência – para mostrar que, se não fosse assim, isto não seria caro".

Editado e adaptado de: Idéias de Lacan - Oscar Cesarotto

quinta-feira, 19 de novembro de 2009

Ron Mueck

Vou publicar aqui as fotos do incrível trabalho Ron Mueck. É um tipo de arte mais contemporânea, ainda carece de maior divulgação. Fiquei admirado com a sensibilidade do artista em reproduzir muito nitidamente as reações de suas esculturas sendo observadas pelas pessoas. Exprimindo variados tipos de emoção, cada uma delas parece estar experimentado uma situação a qual só podemos supor. Eu também só conheci (e por acaso!) esta semana e estou trazendo aqui para o blog esse achado. Senhoras e senhores, eu apresento a vocês, o incomparável: Ron Mueck.

Ron Mueck: (Melbourne, 1958) é um escultor australiano hiperrealista que trabalha na Grã-Bretanha. Este escultor utiliza efeitos especiais cinematográficos para criar obras de arte. São incrivelmente realistas e se não fosse o tamanho de suas esculturas certamente seriam fáceis de serem confundidas com pessoas. (Fonte: Wikipédia)